terça-feira, 20 de janeiro de 2009

HARE KRISHNA

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HARE KRISHNA
HARE KRISHNA
KRISHNA KRISHNA
HARE HARE
HARE RAMA
HARE RAMA
RAMA RAMA HARE HARE


quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Radhika-Carana-Padma



Radhika-Carana-Padma

Srila Bhaktivinoda Thakura

radhika-carana-padma, sakala sreyera sadma,

jatane je nahi aradhilo

radha-padmankita-dhama, brindabana jará nama,

taha je na asroy korilo (1)

radhika-bhava-gambhira citta jeba mahadhira

gana-sanga na koilo jibane

kemone se syamananda, rasa-sindhu-snanananda,

labhube bujhoha eka-mane (2)

Aquele que deixa de adorar com grande cuidado os pés de lótus de Srimati Radhika, que são a morada de todos os auspícios; aquele que não tenha se abrigado em Vrindavana dhama, que é decorado com as belas pegadas de lótus dEla; aquele que nessa vida não tenha se associado com os devotos de Srimati Radhika, cujos humores, assim como o de Srimati Radhika, são muito graves e profundos, cujos corações e inteligências são fixos em adorá-lA– como poderá tal pessoa experimentar a bem-aventurança de se banhar no oceano de syama-rasa? Por favor, entenda isso com muita atenção!

radhika ujjvala-raser acarya

radha-mahadhaba-suddha-prema bicarya (3)

Srimati Radhika é a acarya das doçuras amorosas (ujjvala-rasa). O amor puro entre Radha e Madhava destina-se a ser discutido e contemplado.

je dharilo radha-pada parama jatane

se pailo krsna-pada amulya-ratane (4)

Aqueles que põem os pés de lótus de Srimati Radhika em seus corações e os adoram com grande carinho obtêm as inestimáveis jóias que são os pés de lótus de Krsna.

Radha-pada bina kabhu krsna nahi mile

Radhara dasira krsna sarava-bede bole (5)

Sem tomar abrigo nos pés de lótus de Radha, tal pessoa não pode nunca se encontrar com Krsna. As escrituras Védicas declaram que Krsna é a propriedade das servinhas de Sri Radha.

chodata dhana-jan, kalatra-suta-mita,

chodata karama geyana

radha-pada-pankaja, madhu rata sebana,

bhaktivinoda paramana (6)

Abandonando riqueza, seguidores, esposa, filhos, e amigos, e abrindo mão das atividades materialistas e de conhecimento especulativo, a pessoa se torna absorta na doçura do serviço aos pés de lótus de Srimati Radharani. Esta é a declaração solene de Bhaktivinoda.

Meu Guru é Radharani



Meu Guru é Radharani

Nessa linha, em nosso guru-parampara Krsna está no topo, mas Krsna diz,

radhikara prema-guru, ami-sisya nata

sada ama nana nrtye nacaya udbhata

(Caitanya-caritamrta Ad 4.124)

“Meu guru é Radharani,” Krsna diz. “Quanto aos assuntos amorosos Meu guru é Radharani, então Ela sempre me faz dançar de acordo com o Seu tom.”

Então quem está no patamar mais elevado de guru? Esta pessoa é Radharani. Então embora em nosso guru-parampara a posição mais elevada é de Krsna, Ele diz, “Radharani é Meu guru em assuntos amorosos e Ela me faz dançar de acordo com o Seu tom. Eu dançarei, Eu dançarei. Amo-sisya anta, Eu sou Seu discípulo e nata, dançarino.” O guru faz o discipulo dançar, “Vá lá, venha cá, suba desça, suba desça.” O Guru pode fazer o discípulo dançar então Krsna diz, “Radharani é Meu guru nos assuntos amorosos e Ela sempre Me faz dançar de acordo com o Seu tom. Eu estou dançando de acordo com o tom dela. Meu guru é Radharani.”

Então no guru-parampara a posição mais elevada é Radharani. Isso é guru-tattva.

Aqueles que aceitam vraja-seva-adhikara, o direito de servir Krsna em Vrajabhumi, eles são servos de Radhanatha.

E Gaurasundara é radha-bhava-dyuti-suvalitam. Radha-bhava é predominante em Gaurasundara.

gaura anga nahe mora- radhanga-sparsana

vrajendra-suta vina tenho na sparse anya-jana

(Caitanya-caritamrta M. 8.287)

E o que ele disse? Essa é a sua própria declaração:

“Esse não é o corpo de Gaura, esse é o corpo de Radha,” Gaura disse essas coisas. “Apenas Vrajendra-suta, o filho de Nanda Maharaja pode tocar esse corpo. Ninguém mais pode tocar esse corpo.”

Então radhabhava é predominante em Gaura. Em nosso guru-parampara quando Gaura surge então Radha surge. Este guru-parampara em que Gaura aparece é o parampara de Radha. Isto é guru-tattva, porque em Gaurasundara radhabhava é predominante. Então aqueles que são gauranugas, seguidores de Gaura, eles são radhanugas, porque radhabhava é predominante em Gaura, isto é gaudiya-guru-dhara.

Mantenha Gauranga em seu coração

Mahaprabhu é tão misericordioso.

uttma adhama kichu na bachila jachie dilaka kola

kahe premananda emana gauranga hrdaya dharia bola

Nós cantamos isso anteriormente lendo Caitanya-caritamrta. Mahaprabhu nunca discrimina, seja alguém uttama ou adhama, o mais elevado ou o mais degradado. Ele nunca discrimina. Ele oferece e abraça, “Por favor, venha para o Meu abraço, por favor, venha para o Meu enlaçar.” Tal personalidade é Gauranga. Premananda dasa Thakura diz, “Mantenha esse Gauranga em seu coração, hrdayetu sacinandana.”

Da mesma forma, também é dito:

Bhaja gauranga kaha gauranga laha gauranga nama re

Je jana gauranga bhaje sei hoy amara prana re

Premananda dasa Thakura canta, “Profira o nome de Gauranga, canta o nome de Gauranga, fale sobre Gauranga. Aquele que faz bhajan a Gauranga, ele é a minha vida e alma.”

Então, Gauranga é Krsna, mas Krsna desenvolveu anseio em entender e saborear radha-prema, o amor experimentado por Radharani. Por isso saci-garbha-sindhau, Ele apareceu do ventre de sacimatha, para satisfazer esses três desejos, três tipos de anseios. Este é Sacinandana Gauranga.

Radhayah pranaya-mahima kdrso. “O que é o amor de Radharani?”

Svadyo yenabhuta-madhurima krso va. “Radharani saboreia Minha beleza.” A beleza de Krsna é madhurya.

“O que é a Minha beleza?”

Como pode alguém saborear sua própria beleza? Você pode ver a sua própria face? Então como você pode saboreá-la?

“Como Eu posso entender,” Krsna pensa. É impossível para Krsna. E o terceiro, saukhyam casya mad-anubhavatah kidrsam veti lobhat.

“Que sukha, felicidade, Radharani tem por saborear a Minha beleza e como Eu posso entender isso?”

Esse é o desejo, o anseio que Krsna desenvolveu, e ele se mantêm insatisfeito na Krsna-lila.

Por isso é dito, pelas próprias palavras de Krsna, e Kaviraja Gosvami escreveu essas palavras no Caitanya-caritamrta (Adi 4.126),

nija-premasvade mora haya ye ahlada

taha ha´te koti-guna radha-premasvada

“O ahlada, prazer que Eu tenho por saborear Meu próprio prema é grande, mas por saborear radha-prema, o prazer é milhares e milhares de vezes maior.”

Krsna é raservisaya, Ele é visaya-vigraha. Todos devem entender isso. Esse é um linguajar especifico, vaisnava-bhasa. Nós dizemos repetidamente que todos devem conhecer essa bhasa, linguagem, pari-bhasa, a linguagem da filosofia Vaisnava.

Você é o estudante, então como você pode se tornar um estudante? Vá embora daqui! Eu vou não mais admiti-lo nessa classe. Vá embora, vá embora! Você não está preparado para ser admitido nessa classe. Como pode você ser admitido nessa classe de pós-graduação? Você deve saber a linguagem!

Rasarvisaya e raserasraya, visaya-vigraha e asraya-vigraha. Em inglês seria o desfrutador e o desfrutado, mas eu não estou satisfeito com essa tradução. Não há palavra em inglês para isso, então você deve entender. Saukhyam casya-mad anubhavatah kidrsam veti lobhat. Essa é a sukha, felicidade que a asraya experimenta e Radharani é a mais elevada asraya. Krsna é visaya-vigraha e todos os devotos são asraya-vigraha. Radharani é a devota mais elevada, por isso Ela é a mais elevada asraya. Esse radha-premasvada, o prema que Radharani saboreia, é milhares e milhares de vezes maior que este visaya jatiya-sukha.

Esse é o pensamento de Krsna e o anseio desenvolvido por Krsna. Um grande anseio que não pode ser suprido. È um anseio muito elevado. “Como posso Eu saborear isso, como posso Eu entender? Como Eu posso fazer essas coisas? Eu fiz um esforço mas Eu fracassei. O que Eu devo fazer?” Krsna está pensando, pensando muito profundamente. “Eu sou visaya-vigraha, mas se Eu me tornar o asraya-vigraha então será possível que Eu saboreie essa asraya jatiya-sukha.” Pensando dessa maneira, num pensamento muito profundo, Krsna se tornou muito inquisitivo. “O que fazer?” O pensamento muito profundo surgiu assim, hrdaye badaye prema-lobha. Esse lobha significa anseio por esse prema. Há assim um grande anseio inabalável no coração de Krsna, “como saborear esse radha-prema?”, então há aí prema-lobha.

Kaviraja Gosvami usa esse termo especifico, dhak-dhaki, dhak dhak.

Se você preparar arroz doce, botando leite, açúcar e arroz em um pote no fogo fazendo com que os ingredientes se tornem cada vez mais condensados e mais condensados e quando isso ocorrer você vai conhecer esse dhak dhak, dhak dhak. Isso é o dhak-dakhi dentro do coração e este prema-lobha, dhak-dhaki está no coração de Krsna. Não há nenhuma palavra em inglês, em nenhuma língua. “Palpitação do coração”, mas isto ainda não é dhak-dhaki. Não há nenhuma palavra, o que fazer? Um tio cego é melhor do que tio nenhum, isto é como esta “palpitação do coração” é melhor.

Então isto é o que Krsna desenvolveu, um grande anseio.

(The Last Limit of Bhakti, Nitya-lila-pravista Swami Gaura Govinda Maharaja)


http://anandapombinha.multiply.com/journal/item/25

Quem É a Mocinha Que Está Com Krishna?

Quem É a Mocinha Que Está Com Krishna?

Radha and Krishna

Quando as pessoas vêem uma gravura como a que está reproduzida ao lado, elas costumam perguntar, “Quem é a mocinha que está com Krishna?”. A resposta é que Ela é Srimati Radharani, a potência de prazer de Krishna. Os devotos do movimento da consciência de Krishna tentam humildemente glorificar a Srimati Radharani porque, com Sua misericórdia, pode-se avançar muitíssimo em consciência de Krishna.

O Que é a Potência de Prazer?

Naturalmente, todos desejam sentir prazer, mas ninguém é totalmente independente para obter satisfação. Para satisfazer nossos desejos, necessitamos da associação às outras pessoas. Costumamos usar a expressão “sentir prazer consigo próprio”, mas nossa satisfação é maior quando estamos em boa companhia. Na verdade, a maioria das pessoas acharia a solidão prolongada praticamente insuportável.

Entretanto, Krishna, o Senhor Supremo, por ser a fonte de tudo, é totalmente independente. Ele é independente em Sua existência, Seu conhecimento e Seu prazer, pois tudo é sustentado por Ele, assim como as pérolas estão ensartadas num cordão.

Por esta razão, Krishna não precisa de coisa alguma ou de alguém. De certa forma, como Ele é tudo, ninguém existe fora d’Ele. Conseqüentemente, quando Krishna deseja ter prazer, Ele expande sua potência ou energia interna que Lhe traz satisfação. Esta potência é uma pessoa. Seu nome é Srimati Radharani.

Radharani não é uma pessoa diferente de Krishna ou, de outra forma, Ela é igual e diferente d’Ele. Como duas pessoas poderiam ser uma, ou como uma poderia ser duas? Um exemplo simples ilustra como isto é possível. O sol não pode existir sem a luz solar, nem esta última pode existir sem o sol. Podemos dizer “O sol está em meu quarto” – mesmo que o sol esteja há milhões de quilômetros de distância -, porque o sol aparece sob a forma de sua energia. Pela mesma razão, a energia (o brilho solar) e o energético (o sol) são simultaneamente um e diferentes. Da mesma forma, Radha e Krishna são iguais e diferentes ao mesmo tempo. Krishna, o Senhor auto-refulgente, é a Personalidade Suprema de Deus, enquanto que Srimati Radharani é Sua energia suprema de prazer. Juntos, eles formam a Verdade Absoluta completa.

Quem Pode Compreender Tudo Isto?

A especulação mental não nos permite entender coisa alguma sobre Radha e Krishna. Krishna e Suas potências são acintya (inconcebíveis) e ananta (ilimitados). Ele é a própria fonte da mente e, desta forma, está além da mente. A mente limitada não pode compreender a Personalidade de Deus ilimitada. A literatura védica explica isto de forma bastante lógica: “tudo aquilo que transcende à natureza material é inconcebível, pois todos os argumentos especulativos aplicam-se ao mundo material. Como argumentos mundanos não permitem entender as questões transcendentais sutis, não se deve tentar compreender os assuntos transcendentais por meio de argumentos mundanos”.

Quando os intelectuais mundanos comuns tentam explicar ou interpretar a identidade ou os passatempos de Radha e Krishna, a natureza ilimitada de Krishna os confunde e, por esta razão, tudo eles interpretam mal. Assim, algumas vezes eles consideram que Radha e Krishna são semelhantes a um rapaz e uma mocinha comuns do mundo material. Contudo, embora costumem se apresentar como eruditos, eles não sabem o que estão dizendo. Portanto, deve-se evitar por todos os meios as idéias mundanas confusas destes intelectuais estouvados. Se alguém quiser entender Radha e Krishna, deve esforçar-se por compreendê-los ouvindo submissamente o que uma autoridade fidedigna tem a dizer.

A autoridade original sobre Krishna é o próprio Krishna. Todos somos, antes de tudo, autoridades sobre nós próprios e isto também se aplica a Krishna. Além disto, como Ele é ilimitado, ninguém mais pode compreendê-lo plenamente. Arjuna, discípulo de Krishna, confirma isto no Bhagavad-gita:

svayam evatmanatmanam
vettha tvam purusottama
bhuta-bhavana bhutesa
deva-deva jagat pate

“Na Verdade, só você mesmo Se conhece através de Sua potência interna, ó Pessoa Suprema, origem de tudo, Senhor de todos os seres, Deus dos deuses, Senhor do Universo!” (Bhagavad-gita, 10.15.)

Embora Krishna seja inconcebível pela especulação mental, aqueles aos quais Ele se revela podem conhecê-lo. Inicialmente, Krishna deu este conhecimento transcendental a Brahma, o primeiro ser vivo criado. Em seguida, Brahma transmitiu este conhecimento ao seu filho Narada, que o repassou a Vyasa, autor do Bhagavad-gita. Desta forma, o conhecimento foi transmitido do mestre ao discípulo, através de uma cadeia de sucessão discipular, chegando até os dias de hoje. Um mestre espiritual desta linhagem discipular é uma autoridade fidedigna acerca de Krishna. Ele é a pessoa certa, da qual se deve receber conhecimento transcendental.

O Que Dá Prazer a Krishna?

De acordo com estas autoridades espirituais, Krishna é o reservatório de todo o prazer e, portanto, Ele é todo-atrativo. No entanto, Krishna obtém prazer do serviço prestado por Seus devotos. Este serviço devocional atrai até mesmo a Ele. O próprio Krishna confirmou isto quando falava a um amigo, como está consignado no Srimad-Bhagavatam: “A Suprema Personalidade de Deus disse: Meu querido Uddhava, posso dizer-lhe que a atração que Eu sinto pelo serviço devocional prestado por Meus devotos é incomparável, mesmo que se realize yoga mística, especulação filosófica ou sacrifícios ritualísticos, estudos do Vedanta, prática de austeridades severas ou dar tudo em caridade. Por certo que estas são atividades muito piedosas, mas elas não são tão atrativas para Mim, quanto o serviço amoroso transcendental prestado por Meus devotos”. (Srimad-Bhagavatam 11.12.1.)

Krishna é pleno de seis opulências: beleza, riqueza, fama, força, conhecimento e renúncia. Portanto, nenhuma opulência material pode atraí-Lo. Assim como um milionário não se sentiria atraído se alguém lhe oferecesse alguns poucos dólares, não se pode atrair Krishna simplesmente pela opulência material limitada. No entanto, o serviço devocional puro atrai até mesmo a Krishna. Esta é a excelência transcendental única do serviço devocional.

Srimati Radharani é a personificação do serviço devocional puro. Ninguém pode ser um devoto mais elevado do que Ela. O próprio nome Radharani origina-se do termo sânscrito aradhana, que significa “devoção”. Seu nome é Radharani porque Ela suplanta a todos em devoção a Krishna. Embora Krishna seja tão belo que possa atrair milhões de Cupidos e, por esta razão, também seja conhecido como Madana-mohana, “aquele que atrai o próprio Cupido”, Radharani pode atrair até mesmo Krishna. Por esta razão, Ela é conhecida como Madana-mohana-mohini – “aquela que atrai até mesmo quem atrai o Cupido”.

O mesmo Krishna que não se sente atraído por qualquer opulência material, acha Srimati Radharani irresistível. Certa vez, brincando com as gopis, as vaqueirinhas de Vrndavana, Krishna escondeu-se sob um arbusto, mas por fim elas O avistaram à distância. Em seguida, Krishna transformou-Se em sua forma de Narayana de quatro braços. Quando as gopis se aproximaram e viram Narayana, em vez de Krishna, elas não se interessaram por Ele; apenas a forma original de Krishna com dois braços atraía as vaqueirinhas. Assim, elas prestaram suas reverências respeitosas ao Senhor Narayana e rogaram que Ele lhes desse a graça da associação eterna com Krishna. Em seguida, partiram em busca de Krishna. Entretanto, quando Srimati Radharani passou por ali, Krishna tentou manter seu disfarce como Narayana, mas não conseguiu; ele voltou à Sua forma original de dois braços. Isto ilustra a grande influência do amor transcendental puro de Srimati Radharani.

No Bhagavad-gita, Krishna diz que, a quem se rende, Ele retribui de acordo. Por esta razão, quanto mais Radharani tenta agradar a Krishna, mas Ele deseja dar-lhe prazer, desta forma aumentando o entusiasmo que Ela sente por acentuar o prazer dado a Krishna. Portanto, embora o Senhor seja ilimitado, Ele e Sua potência de prazer estão sempre crescendo. A bem-aventurança recíproca entre o Senhor e Sua potência de prazer está expressa nos passatempos transcendentais de Radha e Krishna, que são descritos detalhadamente no livro Krishna, A Suprema Personalidade de Deus, escrito Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada.

Amor ou Luxúria – Qual é a Diferença?

O intercâmbio de amor entre Radha e Krishna é a essência do amor espiritual. Como Krishna é a origem de tudo, Ele também é a origem do amor. No mundo material, a atração entre rapazes e moças é um reflexo pervertido da relação essencialmente espiritual entre Radha e Krishna. Aqueles que pensam que podem ser felizes por meio do desfrute sexual material não conseguem compreender a relação entre Radha e Krishna; por outro lado, quando ouvimos um mestre espiritual fidedigno falar sobre Radha e Krishna, nossos desejos sexuais materiais desaparecem por completo.

No mundo material, embora alguém possa declarar amor verdadeiro, interiormente o desejo real da pessoa é gratificar os próprios sentidos. Amamos alguém enquanto esta pessoa satisfaz nossos sentidos e, quando este prazer sensual arrefece, junto com ele também vai o chamado amor. Por esta razão, as relações amorosas terminam em separação ou divórcio. Contudo, os devotos puros de Krishna que estão na plataforma espiritual não têm desejos de dar prazer a si próprios. Eles desejam apenas dar prazer ao Senhor Krishna. Isto é amor verdadeiro e perfeito.

Aquilo que conhecemos como “amor” no mundo material na verdade é luxúria, ou desejo de gratificar a si próprio. Este sentimento não tem uma base permanente; hoje em dia, eu amo uma moça, amanhã outra, de acordo com minhas fantasias volúveis. Na verdade, embora um rapaz e uma moça possam trocar de parceiros sexuais com tanta freqüência quanto os cães e gatos, em nosso idioma moderno que estão “fazendo amor” em suas relações sexuais, como se o atrito grosseiro de dois corpos quentes pudesse gerar amor. Falamos de amor com muita facilidade, mas neste mundo material realmente não há amor – tudo é luxúria. A diferença entre amor e luxúria é semelhante à diferença entre ouro e ferro. Ambos são metais, mas sob outros aspectos não têm qualquer outra semelhança.

As almas condicionadas do mundo material geralmente estão equivocadas e frustradas no amor porque tentam obter prazer satisfazendo seus sentidos corporais materiais. Elas não sabem que são diferentes dos seus corpos. O corpo está em constante transformação – da infância para a juventude e daí para a velhice -, mas a mesma pessoa sempre está presente em cada corpo. Ela se identifica como americano ou inglês, judeu ou cristão, homem ou mulher, de acordo com seu corpo, mas a alma não é este corpo. Portanto, não importam os esforços envidados no sentido de tentar ser feliz gratificando as exigências do seu corpo, a pessoa jamais terá êxito. Assim como não se pode satisfazer um pássaro limpando sua gaiola sem o alimentar, não se pode satisfazer os sentidos físicos. Além disto, quanto mais o indivíduo tenta satisfazer os sentidos, mais crescem suas demandas. A indulgência não pode satisfazer seus sentidos físicos, assim como a gasolina não pode apagar um incêndio. Tentar aplacar as ansiedades com a gasolina da gratificação dos sentidos apenas provocará uma explosão. Portanto, ao tentar satisfazer seus desejos materiais de desfrute sensual, a pobre alma condicionada simplesmente intensifica seu desejo, mas não alcança a satisfação. A alma torna-se serva dos sentidos, trabalhando arduamente para satisfazer seus desejos ardentes, que nunca podem ser aplacados. Para encontrar prazer verdadeiro, a alma deve descobrir o verdadeiro amor – e para isto deve amar Krishna. Para sermos realmente felizes, devemos nos dedicar ao Seu serviço devocional.

Este serviço devocional está sob o controle de Srimati Radharani. Ela é a deidade que governa o serviço devocional. Como é muito misericordiosa, os devotos aproveitam-se especialmente de sua natureza bondosa para conseguir servir a Krishna. Na verdade, embora raramente se consiga praticar serviço devocional puro, podemos conseguir isto muito facilmente pela graça de Srimati Radharani.

O Bhagavad-gita confirma que aqueles que são verdadeiramente grandes almas (mahatmas) abrigam-se na energia espiritual (daivi prakrti) de Krishna, ou Srimati Radharani. “Sempre cantando minhas glórias, esforçando-se com muita determinação, prostrando-se diante de Mim, estas grandes almas adoram-Me perpetuamente com devoção” (Bg, 9.4). Este serviço devocional não é uma atividade do mundo material, mas é totalmente espiritual porque está sob o controle direto da energia espiritual de Krishna – Srimati Radharani.

Para prestar serviço devocional, deve-se seguir os passos de Srimati Radharani realizando serviço devocional puro a Krishna, sem qualquer interesse por lucro material. No entanto, não se deve cultivar devoção apenas a Krishna. Ele não está completo sem Srimati Radharani, assim como o sol não está completo sem o brilho solar. Por esta razão, deve-se adorar Radha e Krishna, porque juntos Eles formam a Verdade Absoluta completa.

Na verdade, a devoção a Radharani é melhor do que a devoção a Krishna. Em termos mais exatos, podemos adorar melhor a Krishna, a Suprema Personalidade de Deus, através de Srimati Radharani, Sua energia de prazer supremo. Krishna afirma no Bhagavad-gita, “Se alguém Me oferecer, com amor e devoção, uma folha, uma flor, frutas ou água, Eu as aceitarei” (Bg 9.26). Entretanto, em vez de oferecer uma flor diretamente a Krishna, é melhor oferecê-la a Srimati Radharani pedindo, “Minha querida Radharani, por favor, recomende-me a Seu Krishna”. Krishna é o controlador supremo, mas também está sob o controle da devoção pura de Srimati Radharani. Portanto, Krishna também é conhecido como “propriedade de Radharani”. Por esta razão, se alguém consegue agradar a Radharani, pode facilmente agradar ao Senhor Krishna.

Srimati Radharani tem o aspecto de um maha-bhagavata, o mais elevado dos devotos. Desta forma, Ela vê a todos igualmente. Se alguém se aproxima d’Ela com o propósito de servir a Krishna, mesmo que esta pessoa seja a mais caída, Ela imediatamente confere sua misericórdia recomendando esta pessoa a Krishna: “Ó, Krishna, aqui está um devoto. Ele é melhor do que Eu”. Como Srimati Radharani está sempre absorvida em pensar em Krishna, Ela é muito querida por Ele. Por esta razão, a pessoa certamente será bem-sucedida, se tentar chegar a Krishna através de Radharani.

Como Podemos Aprender a Servir a Radha e Krishna?

Para aprender a servir a Radha e Krishna, primeiro a pessoa deve aproximar-se de um mestre espiritual fidedigno. Krishna tem duas energias – material e espiritual. A energia espiritual é plena de bem-aventurança e conhecimento eternos, enquanto que a energia material causa ignorância, miséria e morte. Embora todos sejamos originalmente espirituais, infelizmente agora estamos corporificados na energia material. Entretanto, devido à ilusão, não nos lembramos da nossa posição original, nem sabemos como voltar ao mundo espiritual. Por esta razão, Krishna desce pessoalmente a este mundo material para nos atrair demonstrando Seus passatempos transcendentais e proferindo a mensagem do Bhagavad-gita para nossa iluminação. Mas Krishna voltou à Sua morada há cerca de 5.000 anos. Isto significa que não podemos mais chegar a Ele? Não. Em sua ausência, podemos abordá-lo por meio do Seu representante, o mestre espiritual.

O mestre espiritual é a encarnação misericordiosa de Deus. Como Krishna é a Suprema Personalidade de Deus, é difícil chegar até Ele. Contudo, como Ele também é muito compassivo e movido por Sua compaixão, Krishna dá poder aos Seus devotos puros para trazer as almas caídas e esquecidas de volta ao lar, de volta ao Supremo.

Srimati Radharani, a contraparte feminina e compassiva do Senhor Krishna, representa Sua natureza piedosa. Por esta razão, o mestre espiritual, que desce compassivamente ao mundo material para o bem das almas caídas, é considerado um representante de Srimati Radharani. Pela misericórdia do mestre espiritual, pode-se obter a misericórdia de Krishna. Não há meios alternativos para se alcançar o sucesso. Sem a misericórdia do mestre espiritual, não se pode fazer qualquer progresso em serviço devocional. Esta é a opinião de todas as autoridades fidedignas sobre a vida devocional.

O mestre espiritual treina seus discípulos de tal forma, que eles possam libertar-se do cativeiro da consciência material, dedicar-se ao serviço devocional e desenvolver gradativamente amor puro por Deus. O mestre espiritual tem a responsabilidade de engajar cientificamente cada discípulo numa atividade prática. Diante dos diversos caminhos disponíveis para alcançar a realização espiritual, precisamos da orientação experiente de um mestre espiritual fidedigno para entender qual deles deve ser seguido para realizarmos progressos reais em direção à meta suprema.

Na era em que vivemos, o processo mais recomendado para atingir a perfeição é cantar o mantra Hare Krishna – Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare/Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare. Krishna e Rama são nomes do Senhor e Hare é o vocativo de Hara, a potência de prazer do Senhor – Srimati Radharani. Como almas espirituais, somos originalmente energia espiritual, mas de uma forma ou de outra caímos neste mundo material de nascimentos e mortes. Contudo, quando nos abrigamos na energia espiritual suprema, Srimati Radharani, voltamos à nossa posição original feliz.

Radharani é a potência que dá prazer transcendental a Krishna. Quando a misericórdia desta potência é derramada sobre uma entidade viva, ela desenvolve amor por Deus e desta forma obtém o prazer mais elevado – e também pode distribuir este prazer aos demais. Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada introduziu este processo de cantar os santos nomes nos países do ocidente e, agora, isto se espalha por todo o mundo. De acordo com suas palavras, “O cantar é exatamente como o choro de uma criança chamando por sua mãe. A mãe Hara [Srimati Radharani] ajuda o devoto a obter a graça do Pai, e o Senhor revela-Se ao devoto que canta sinceramente este mantra”.

Fonte:
http://pt.krishna.com